domingo, 27 de maio de 2012

Entrevista

Autocrítica petista

ÉPOCA - Por que o PT cria tanta dificuldade para o governo Lula?
Jorge Viana - Às vezes eu tenho a impressão de que existe uma necessidade de nós, os petistas, nos auto-afirmarmos continuamente. Nós estamos legitimamente no poder, mas parecemos pouco à vontade numa função que sempre tinha sido desempenhada pela elite. É um sentimento que não me parece afetar o presidente Lula, muito à vontade com a vida palaciana e com a tomada de decisões.


ÉPOCA - Então por que tanta dificuldade para fazer a reforma ministerial?
Viana - Em parte, por instinto. Em parte, pelas complicações políticas. As bancadas dos partidos no Congresso sofrem uma espécie de peemedebização. O PMDB há anos é um partido com vários líderes que não se entendem. Isso se espalha como um vírus, contaminando todo mundo. O PFL foi o primeiro. Hoje, o PTB vive essa síndrome, o PP idem. O PL menos, mas também vive. Até o PCdoB e o PT. Esse desarranjo não tem ideologia. Numa situação dessas, o presidente fala com quem nesses partidos de lideranças fragilizadas?

 ÉPOCA - Essa crise não ocorreu, em parte, por causa do PT, que para se manter puro começou a inchar os partidos aliados?
Viana - É claro que nosso jeito de atuar pode até ter colaborado para isso, mas não somos o ponto de origem.

 ÉPOCA - Então qual é a origem?
Viana - É o momento da política brasileira. Mais que nunca é necessária uma reforma que inclua a fidelidade partidária e o financiamento público de campanha. Se não fizermos isso, pagaremos um preço cada vez mais alto. Como ninguém lidera, hoje, de uma reunião de líderes participam 60, 70 parlamentares.

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